sábado, 5 de Janeiro de 2013

Os vinhos de 2012

Aproveitei as férias natalicias para provar os vinhos de 2012. Falo de vinhos no plural, porque apesar de as uvas terem vindo da mesma vinha, foram vindimadas em dois tempos. Tive de me adaptar ao clima do ano.
A primeira vindima decorreu a 22 de Setembro e a segunda a 06 de Outubro.

Em ambos, a fermentação malolactica ainda não terminou. E usual na zona, as malolacticas so terminarem na primavera quando as temperaturas mais amenas voltam.

Assim sendo, a acidez na boca ainda esta bem vincada. Depois da malolactica tudo ficara mais harmonioso.

No entanto, da para começar a formalizar uma ideia do que poderão vir a ser os vinhos, embora não definitiva.

Os dois vinhos provêm da mesma vinha velha de castas misturadas. No da primeira vindima encontramos muita Tinta Pinheira. Ja no da segunda vindima encontramos maioritariamente Negro Mouro e Tinta Amarela, duas castas tardias.



Foi engraçado prove-los lado a lado, pois são diferentes um do outro no nariz e na cor, mas na boca encontram-se bastante similitudes.

As fotos deste post mostram o vinho da primeira vindima (fui burro esqueci-me de tirar uma foto ao da segunda vindima...). Como podem ver a cor não é muito carregada, o que é caracteristico da Tinta Pinheira. Estamos perante um vinho tipo "apinozado" na cor e acho que de certa forma tambem no aroma. Pessoalmente não me importo da questão da cor, não percebo a obseção de alguns com a cor carregada. A esses apetece-me indicar-lhes para provarem alguns Pinot Noir da Borgonha a ver a sua reacção...

Mas voltamos ao assunto deste post.
O vinho da segunda vindima distingue-se do primeiro na questão da cor, pois apresenta uma cor bastante mais opaca, mais violeta do que rosa.

No nariz, no inicio apresentam-se ambos reduzidos. Depois de arrejados, a reducção desaparece, deixando os aromas afirmarem-se com grande complexidade.

Os dois vinhos apresentam aromas diferentes, o primeiro com toques de fruta fresca vermelha misturada com tons vegetais e minerais, o segundo com um lado mais floral e tambem mais virado para os cheiros das matas.


Na boca, a primeira coisa que me vem a cabeça é aquela textura vidrada, aquela frescura casada com taninos super finos e polidos. Como disse a acidez ainda esta bem vincada por a malolactica ainda não ter acabado.

Este relato é feito a partir da prova de vinhos com apenas três meses de vida. Por isso ainda é muito cedo para se tirar conclusões. No entanto fiquei entusiasmado, pois acho que consegui um belo resultado apesar das dificuldades do ano, consegui-me adaptar e responder a essas dificuldades. Receava um pouco esta prova, mas agora fiquei com a duvida se afinal não consegui a terceira vindima, o meu melhor resultado.
O futuro o dira!
Até seria logico, pois cada dia, cada ano que passa vou aprendendo, aperfeiçoando os métodos tanto na vinha como na adega.
Na vinificação trabalhei a procura da elegância, da precisão e na vinha o trabalho realizado foi pormenorizado, de grande esforço e rigor.
A vinha talvez tambem me esteja a agradecer o carinho que lhe dei desde que a salvei da morte.

Mas como disse ainda é cedo, vamos aguardar com calma o que o futuro nos reserva!

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