domingo, 14 de dezembro de 2014

A replantação das falhas nas vinhas velhas

Duas das vinhas velhas que cultivo apresentam um numero importante de falhas. Vinhas com cerca de 90/100 anos.
Falhas que resultaram da morte de cêpas que não resistiram ao tempo e ao trato.
Nestes dois casos, a proporção das falhas é bastante elevada, tornando a exploração desta duas vinhas quase irracional.
E em anos maus como 2014 em termos de quantidade, manter estas vinhas torna-se quase num acto heroico, pois cada uma destas duas mal deu para uma barrica.
Das duas uma... Ou abandono estas vinhas ou tento replantar as falhas (sendo que mesmo replantadas, a quantidade mantera-se bastante baixa).

Falhas na vinha da Serra
Decidi lançar-me no projecto de replantar as falhas.
Mas não quero fazê-lo mal, quero respeitar o caracter do local, o caracter de cada vinha. Não quero alterar o caracter do vinho resultante de cada uma destas duas parcelas.
Por isso não quero plantar bacelos enxertados, comprados no comercio.
Não vou plantar Tourigas, nem outro material pronto a plantar.


Como disse quero respeitar o caracter de cada vinha e por isso, na minha opinião, isso so sera possivel plantando material vegetativo proveniente da propria vinha.
Isso implica perder um ano em relação a solução de facilidade que seria de plantar bacelos enxertados do comercio.

Vou ter de plantar na proxima primavera bacelos para no ano a seguir enxerta-los no proprio local com varas selecionadas na propria vinha.

Falhas na vinha do Monte Selvagem
Tenho por isso andado a pesquizar sobre quê bacelos escolher para plantar nestas condições (solo granitico do Dão Serrano, solo muito pobre e onde ja existe vinhas antigas com raizes fundas a dificultar a plantação de plantas novas). Os bacelos têm de apresentat alguma versatilidade, dado a quantidade de castas diferentes de que serão o suporte.


As varas que servirão a replantação serão escolhidas no proximo verão. Estou a refletir sobre quais os critérios a ter em conta para a seleção. Estou a me orientar para a seleção apenas de varas tintas de maneira a poder chegar a um minimo de produção de tinto em cada vinha.
Penso escolher varas de castas antigas menos usuais, escolher principalmente varas das plantas mais residuais, para aquelas que estão mais em perigo de extinção.


A nivel de viticultura este projecto sera a principal novidade do ano. Quase que deveria escrever ano(s) ao plural pois estas coisas como perceberam não se fazem em um ano.

Vai-me dar gozo realizar este novo projecto!

5 comentários:

  1. Antonio, fiquei impressionado com suas vinhas velhas e com o carinho que falas delas. Torço para que o vosso projeto seja um sucesso e que algum dia eu possa tomar uns goles deste vinho. Fiquei curioso em saber quais variedades compõem as suas vinhas antigas e quais tens em mente em replantar. Acho que isto poderia, inclusive, suscitar um debate interessante com a comunidade de enófilos.

    Desde já, desejo-lhe um ótimo Natal e um Ano Novo de sucesso com o novo projeto vitivinícola.

    Rodolfo Câmara e Souza

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    1. Caro Rodolfo,
      As variedades presentes são numerosas, mais de 20.
      As 3 mais presentes são a Jaen, a Baga e a Trincadeira. Representam cerca de 60% do encepamento. Estou por isso a pensar replantar as falhas com varas de outras variedades presentes, por exemplo o Bastardo, a Tinta Pinheira, o Negro Mouro, o Alvarelhão e de outras que nem sequer sabemos o que é e que no cadastro classificam como "Diversas". Estas "diversas" não identificadas representam cerca de 10% do encepamento.

      Obrigado pela sua mensagem e votos de um feliz Natal tambem para si e sua familia.
      Antonio

      PS: se quizer provar o que tenho feito, o meu primeiro vinho, o Dão 2011 encontra-se nas melhores garrafeiras.

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  2. Respostas
    1. boa tarde,
      quero dizer que aprecio bastante o trabalho que está a desenvolver.
      Em relação á renovação das cepas, sugiro que faça "mergulhias" das cepas que pretende obter novas cepas, mergulhando a cepa na totalidade ou apenas uma vara. Em ambos os casos pode obter fruta no mesmo ano, tendo no entanto que fazer a gestão do nº de cachos.
      Bom trabalho.

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    2. Boa tarde Sr José Caixeiro,
      Obrigado pela sugestão.
      Esse metodo era muito usado antes da filoxera, no século XIX.
      Ainda hoje conheço um senhor de 80 anos que adora fazer essas "mergulhias".
      Mas neste caso, penso que o melhor método sera mesmo aquele que estou a preparar.
      Abraço e votos de boas festas!
      Antonio

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