sábado, 29 de outubro de 2016

As vindimas dos tintos 2016

As vindimas de tintos começaram tarde este ano.


Decorreram de 28 de Setembro a 10 de Outubro.


Este ano, devido a primavera fria e chuvosa e ao verão super quente e seco, as maturações atrasaram varias semanas.


No meio destes azares todos, a nossa sorte foi de o mês de Setembro ser por uma vez sem chuvas, o que nos permitiu esperar que as uvas atingissem o ponto de maturação que procuravamos.


Foi preciso nervos de aço para aguentar estes meses todos. A vida de vigneron é assim mesmo. Ainda mais quando se opta por métodos naturais.


Assim, conseguimos obter destas terras de granito a maior produção desde que este projecto se iniciou. 

Não porque as vinhas dessem mais, pelo contrario houve quebra de produção, mas sim porque aumentamos mais uma vez o numero de vinhas que controlamos.


Vinifiquei uma duzia de vinhos tintos.
Cada vinha foi vinificada separadamente.


Foi um trabalho duro, titanesco.


Da muito mais trabalho do que por tudo na fossa comum.
Mas funcionando assim vou ano apos ano conseguindo perceber a identidade de cada vinha. 


E como a cada ano aparece gente a me propor vinhas interessantes, este trabalho nunca acaba.


No fim fica a ideia de que estamos a conseguir algo de muito bonito nas suas mais variadas dimensões.


Se por um lado os resultados a nivel de vinho nos têm entusiasmado a nos e a quem prova os vinhos.
Por outro lado ficamos tambem com um sentimento de realização quando vemos as pessoas da terra satisfeitas por lhe darmos a mão nesta luta para a preservação das vinhas antigas do Dão do sopé da Serra da Estrela.


Cada ano aparece mais pessoas a nos pedir para as ajudarmos. Tenho dado a mão a muita gente, por vezes sem reconhecimento.  Mas com a conciência de que sem a nossa iniciativa estas ultimas miolas do passado ja teriam desaparecido.


Para o ano havera mais!



quarta-feira, 26 de outubro de 2016

A vindima do rosé 2016

O post de hoje serve para vos apresentar o rosé 2016, ou pelo menos o inicio do projecto rosé 2016.


Oriundo de vinhas velhas no granito do sopé da Serra da Estrela, no Dão.


Castas misturadas, diversas e autoctones.



Vindima a mão para caixas.


Uma boa vindima que me permite aumentar a produção de rosé.
Conseguimos vindimar uva para encher uma cuba de 1000 litros.


Rosé vinificado com as leveduras indigenas.


Uvas vindimadas com menos grau que no ano anterior.



Os primeiros indicadores são bons.
Vamos ver como evolui nos proximos tempos.

domingo, 23 de outubro de 2016

Vindimas 2016 : os brancos

 Partilho neste post as fotos das vindimas de brancos de 2016.


Vindimas de vinhas velhas do sopé da Serra da Estrela, na região do Dão.



As vindimas começaram mais tarde este ano. Duas a três semanas mais tarde consoante as parcelas.


Este ano as vindimas de branco decorreram de 20 a 28 de Setembro.


Juntou-se uma boa equipa, com amigos e familiares a darem o litro num bom ambiente!


O tempo tambem ajudou, sempre limpo e com sol.



Vindimavamos na medida do possivel de manhã pela fresca.



Os cachos estavam limpinhos, sem podridão.



E isso é sempre bom sinal.


A qualidade promete portanto.


A quantidade essa esta mais baixa do que no ano passado, cerca de 30% a menos. Alias em algumas parcelas teve-se metade do branco do ano passado.


Os cachos na prensagem libertavam menos sumo do que o habitual, resultado de um verão muito quente e seco, cachos portanto muito concentrados este ano.


As melhores parcelas foram para duas barricas de 500L cada. O resto foi para cubas de inox.


Este ano tambem estamos a fazer uma pequena experiência de branco sem sulfuroso, veremos como resulta.

Agora decorrem as fermentações de forma natural...
Como sempre no nosso caso!

domingo, 28 de agosto de 2016

Ponto da situação nas vinhas

 Para memoria futura, ficam aqui fotos a volta do 10 de Agosto 2016.


Com o pintor ainda bem atrasado em relação ao ano anterior;


 Para ajudar a vinha na maturação e na prevenção de doenças, estivemos a arejar o ambiente a volta dos cachos.

Iamos bem cedo de manhã, das 6 horas ao meio dia.


 Porque a tarde, o calor era insuportavel.
Tem sido um verão seco, com pouca ou quase nenhuma chuva.

Apesar de uma primavera humida e dificil, conseguimos controlar o mildio, ha cachos em boa quantidade e bom estado sanitario, mas não esta facil a maturação.
Neste momento parece-me que dificilmente se ira vindimar antes de fim de Setembro, mas veremos.


O principal agora é mesmo que não venham granizos ou periodos de chuva intensa.
Bom tempo acompanhado de alguma agua de chuvas tranquilas, seria agora o ideal.
Veremos se a natureza sera ou não clemente este ano!

sexta-feira, 5 de agosto de 2016

Recuperação de uma vinha de 2013 a 2016

Hoje partilho convosco 4 fotos de uma vinha que comecei a cultivar e recuperar em 2013.
Cada foto corresponde a um ano e permite visualizar mudanças no solo de ano para ano.
Acho impressionante a evolução, fico muito orgulhoso pelos resultados obtidos. Vejamos.

2013
Em 2013, primeiro ano de cultivo desta vinha de 50 anos. Nota-se pouca pouca vegetação num solo que tinha deixado de ser trabalhado.
2014
Em 2014, estrumamos a vinha, notamos no ano anterior fragilidade nas varas das videiras e tentamos assim dar outro vigor as cêpas. Estrumamos carreira sim, carreira não, para não trazer demasiado alimento de uma vez. O solo começa a ser trabalhado.

2015
Em 2015 notamos ja os primeiros resultados com a vegetação a regressar num solo mais vivo.
Aparece mais verdura nas carreiras estrumadas, nas outras aparece mais vegetação que no ano anterior, mas menos verde que nas carreiras estrumadas.
2016
Em 2016 a vegetação aparece ja em todas as carreiras e com muito mais vigor que no ano anterior. O inverno e a primavera humidas tambem contribuiram.

Aos poucos o solo vai recuperando a vida e vemos as videiras mais saudaveis. O vinho agradece!

terça-feira, 2 de agosto de 2016

Pintor 2016 - As fotos

Chegou o pintor nas vinhas que cultivo no Dão, no sopé da Serra da Estrela.
No post de hoje vou por isso partilhar convosco algumas fotos que mostram o estado actual de duas vinhas, a centenaria e a vinha da Serra.
As fotos foram tiradas ontem, dia 01 de Agosto 2016.



Como podem ver existe variações do estado de avanço entre as videiras. Isso deve-se a varios factores, sendo talvez aqui o factor casta o predominante.
Algumas castas são mais precoces que outras. Os casos de castas que amadurecem cedo na zona são a Jaen e a Bastardo, isto falando dos casos que melhor se conhecem. Até podem existir outras naquele rol de castas antigas que por enquanto desconhecemos.


Focando agora na questão puramente estética, é uma altura do ano em que as cêpas começam a ficar ainda mais bonitas, diversicando as cores e nuances.


E um momento exitante quando chegamos a vinha e vemos o primeiro bago a mudar de cor.



Nas castas brancas é mais dificil de se perceber, pois os bagos em vez de virarem para o roxo, deixam o verde para um amarelo um pouco translucido, portanto mais dificil de distinguir.




Esta altura, que chamamos "pintor" (versão lusa) ou "veraison" (termo técnico francês), é um ponto de viragem importante, uma étapa importante do ciclo vegetativo. Pois é o momento em que a principal preocupação da planta deixa de ser o seu desenvolvimento vegetativo e passa a se concentrar na maturação do seu fruto.



A partir de agora, as energias que a planta encontra no solo e no sol, ja não serão canalizadas exclusivamente para o seu crescimento. As varas param agora de crescer, as energias são agora canalizadas para os cachos. De certa forma é como se se tratasse de uma mãe que agora se concentra na alimentação dos seus filhos.

Dizem os livros que o ponto de maturação ideal sera atingido 45 a 60 dias depois do pintor, o que aponta la para segunda metade de Setembro no nosso caso. Isto dependera muito das condições climatéricas em Agosto e Setembro.

Até la ainda temos algum trabalho para fazer. Temos que arrejar os cachos. Como podem ver nestas fotos temos algumas cêpas mais produtivas que precisam de se criar espaço entre os cachos para não ficarem agarrados uns aos outros. E que ficando uns contra os outros, vão acabar por desenvolver podridão quando ficarem mais maduros e que a chuva e humidade aparecerem.



Este trabalho de arrejamento, consiste em reorganizar a disposição de cachos, varas e folhas. Passa tambem por sacrificar alguns cachos, quando não temos alternativas em termos de mudança de disposição.

E o preço a pagar, até porque no nosso caso não vamos currar mais este ano, nem nunca curramos para o podre. Os cachos ficam portanto sem proteção quimica para a podridão e convem de criar um ambiente local favoravel a sanidade dos cachos.

Porquê não curramos para o podre? Porque é um tratamento que afecta muito as leveduras indigenas nas peliculas dos cachos. Se tratarmos para o podre, vamos ter problemas de fermentação mais tarde. Seremos nesse caso quase que obrigados a utilizar leveduras de pacote que vendem laboratorios especializados. E nesse caso acabariamos por de certa forma estandardizar o vinho, tornar-lo igual a tantos outros, com os mesmos gostos e sabores. Não é de todo o que procuramos, não queremos alterar o gosto e o sabor genuino destas uvas, não queremos que o nosso vinho perca a sua "alma".


Por isso em vez de alinhar pela facilidade, vamos continuar a trabalhar na vinha, fazendo este trabalho de arrejamanento. Vamos continuar a trabalhar muito na vinha, para que depois não precisamos de corrigir o quer que se seja na adega.

Ou contrario de ideias falsas que circulam isto não é minimalismo. O facto de não precisar de intervir quimicamente na adega, não significa que não se faz nada....

Significa que trabalhamos durante o ano e muito. Provavelmente muito mais do que a grande maioria dos convencionais.