sábado, 6 de julho de 2013

As vinhas neste inicio de Julho

Ficam aqui algumas fotos a ilustrarem o estado em que se encontram neste inicio de Julho as diversas vinhas de que trato.


Na nova vinha de que trato, tal como nas outras, a floração correu bem.


Os bagos caminham para o tamanho de bago de ervilha.


Tambem na vinha centenaria, a vegetação ja esta bem desenvolvida.


Jaen, a Baga, o Bical e Cia estão ja bem adiantados, com as videiras a responderem muito bem aos bons tratos de que têm sido alvos este ano.


Ninguem diria na altura da poda, quando a começamos a tratar, que nesta altura estaria tão boa. Pois na altura encontramos uma vinha cansada, esfomeada, com muitas varas finissimas...
A poda severa, o cavalo e o estrume tiveram felizmente o efeito procurado.


Na encosta da vinha centenaria, nesta altura as 9 da manhã, o sol ja bate forte!


Na vinha salva encontramos cachos ja bem desenvolvidos, no estado de bago de erviha...


... mas tambem cachos ainda em floração!


Esta heterogeneidade resulta do efeito da geada tardia que esta vinha sofreu no fim de Abril.
Pois os cachos em floração encontram-se nas varas que nasceram depois de ter removido os talos queimados.


Veremos se sera possivel fazer duas vindimas, para conseguir estes cachos mais tardios.



Para terminar o post de hoje, fica ua curiosidade.
Se repararem bem na foto seguinte, vemos bagos com uma forma oval, tipo carroço de azeitona ou balão de raguebi. 
Este forma de bago acaba por arredondar mais tarde, depois do pintor, mas nesta altura nota-se bem.


Encontro la varias cêpas com estes cachos, mas até agora por muito que procure, ninguem foi até agora capaz de me dizer de que casta se trata...

Deve ser daquelas antigas ja completamente esquecidas.

terça-feira, 25 de junho de 2013

Bye, bye floração!

A informação que me chega da Santa Terra indica que o São João veio dar por terminada a floração.


Uma etapa importante passada com sucesso!

terça-feira, 18 de junho de 2013

A espoldra

O post de hoje é dedicado a espoldra.



O que é a espoldra? Devem estar a perguntar-se os mais curiosos.


Para mim, a espoldra é dos "trabalhos em verde" mais importantes.
O que esta em jogo é principalmente a concentração dos recursos naturais onde mais são precisos, assim como a criação de um ambiente favoravel a boa saude da planta e dos seus frutos.


Tiram-se os lançamentos ladrões, ou seja os lançamentos que nascem no toro. Em geral esses lançamentos não são beneficos, estão ali a consumir recursos, agua, nutrientes, energia, que depois de removidos, podem ser orientados para os lançamentos que ficam, ou seja, para os lançamentos portadores de cachos.


Tem de se ter cuidado porque por vezes convem deixar um ladrão, principalmente no caso de poda em Guyot. Quando é necessario rebaixar uma videira, temos de pensar no que se fara a esta cêpa nos proximos anos, deixando um ladrão que mais tarde podera servir de talo para criação de uma futura vara de produção.

Esta é uma da razões pela qual a espoldra não pode ser realizada por qualquer um. Tem de se saber o que se esta a fazer, ser capaz de tomar decisões que impactarão o futuro.




A espoldra não se limita a questão dos lançamentos ladrões.
Ha outros lançamentos a remover, os chamados "gêmeos" ou "duplos".


Segundo as castas, a videira tem tendência a desenvolver um ou dois olhos no mesmo sitio.
O Jaen, por exemplo tem essa tendência.
Convem nesse caso escolher um dos dois lançamentos e retirar o menos interessante.


As energias e os recursos concentram-se assim no lançamento que fica, favorece-se assim a produção de qualidade.


Os cachos ficam mais arejados, menos sujeitos a humidade.


Cria-se assim um microclima menos favoravel ao desenvolvimento de fungos, ou seja a espoldra tambem é uma medida eficaz de prevenção das doenças.



Um trabalho minucioso, um trabalho de "vigneron"!



sábado, 15 de junho de 2013

Depois da geada

Como tinha contado anteriormente, este ano tinha sido castigado pela geada numa das vinhas.
Cheguei a temer uma perda de produção de 90%.

Na semana a seguir a geada de fim de abril, foram removidos os talos queimados, para facilitar e acelerar o nascimento de novos lançamentos.
Felizmente a vinha tem recuperado bem.

A parte de cima foi a menos afectada pela geada, ai praticamente não se queimou.


A parte de baixo é que se queimou mais.


Muitas varas das cepas de baixo ficaram so com um ou dois lançamentos, o resto queimou-se.

Mas ainda tive alguma sorte devido ao tipo de poda.
Na poda Guyot, alem da vara escolhida para a produção do ano, deixamos, quando possivel, uma espera mais abaixo na cepa com dois olhos, de maneira a criar vara para a produção do ano a seguir e poder renovar e rebaixar a videira. Ora nessa espera, os olhos não se queimaram e deram geralmente lugar a duas varas, cada uma com um ou dois cachos.

Nesta videira, vemos a esquerda os lançamentos das esperas, a direita vemos um lançamento da vara principalmente que escapou a geada, e no meio dois lançamentos bébés, nascidos depois de remover os lançamentos iniciais queimados.

Sendo assim, de tudo correr bem, ainda consiguirei ter alguma produção, talvez 4 ou 5 cachos por cêpa. A ver vamos!

segunda-feira, 10 de junho de 2013

O quadro impressionista e o trabalho dos solos

Quando cheguei a "Terra Santa", em finais de Maio, encontrei a vinha salva com a vegetação do solo bem desenvolvida, de certa forma selvagem!


Parecia um quadro impressionista...


O artista, a natureza, lembrou-se de juntar ali aquelas cores todas.


Apesar de ter passado a maquina de martelos na altura da poda, em finais de fevereiro, para cortar a erva, a chuva abundante desde então, veio ajudar o artista a recompor o quadro a sua maneira...


Eu, tal um terro(i)rista la tive de escangalhar o trabalho do artista, passando desta vez a grade de discos.


A grade de disco para ter um efeito dois em um :
- cortar as ervas para que elas não entrem em competição com as cêpas na procura de agua durante o verão que se avizinha.
- arrejar os solos, para facilitar a entrada de agua e de ar nos mesmos.

E assim! A mão do homem tambem conta!

quinta-feira, 6 de junho de 2013

A floração, o Jaen e a Serra da Estrela

Ficam aqui algumas fotos que ilustram o estado fenologico das videiras da vinha centenaria na semana passada, ou seja a ultima semana de Maio 2013. 


A floração esta ai a bater a porta!


Durante a espoldra deu para começar a reconhecer castas.


Alem da Baga, da Tinta Pinheira e do Bical (aka Borrado das Moscas), ficamos com a ideia que a casta mais presente é a Jaen, talvez uns 40% do encepamento.


Ali, no sopé da Serra da Estrela, o Jaen sente-se em casa! 


Gosta destes solos graniticos, arenosos, destas altitudes...
E nos tambem gostamos dela!

terça-feira, 4 de junho de 2013

De regresso da terra do granito


Regressei a Paris, a vida real, depois de uma semana por terras do Dão Serrano a tratar do meu projecto.

Os melhores momentos foram passados na vinha, era tempo de espoldra, operação em verde que considero das mais importantes e de que falarei num proximo post.

A procura dos crus continuou, as ideias não param, faltam são as condições para concretiza-las. Vai se fazendo o que se pode.

Foi tempo tambem de lutar contra os obstaculos, procurar soluções num pais em que teimam a complicar o que poderia ser simples e bom para todos. O lema continua por isso a ser o "remar, remar"!

quarta-feira, 8 de maio de 2013

Remar, remar!

Estes dias têm sido intensos.
Bastantes tarefas realizadas.

Os lançamentos queimados foram removidos na quinta-feira da semana passada, no quinto dia a seguir aquela noite de geada.
Na quinta-feira ja se via muito melhor o que estava ou não queimado do que na segunda, o que facilitou a tomada de decisão e o trabalho.
Segundo o meu sogro, no global foram removidos cerca de 60% dos lançamentos.
A parte de cima da vinha estava menos afectada, ai eram cerca de 20% de lançamentos afectados.
Na parte de baixo os estragos eram muito maiores, havendos partes completamente queimadas.

Depois deste trabalho feito, parece que a vinha tem reagido bem nos ultimos dias.

Foto do inicio de Maio 2012
Nesta e nas outras vinhas tambem foi aplicado algum enxofre em po, para prevenir oidio, mas tambem para aquecer um pouco a vegetação e puxar por ela.

Alem disso na ultima vinha que comecei a tratar este ano, tambem capinamos, cortamos a erva que havia com a maquina a fio que nos emprestaram na Pellada.

Varias tarefas que foi preciso organizar a distancia.
O meu sogro tem sido formidavel na ajuda que me tem dado na realização destas tarefas, tenho sorte de poder contar com ele.
No vinho como em tudo, sozinhos não somos nada!

quarta-feira, 1 de maio de 2013

Maldita geada!

O que vinha a temer confirmou-se. 
Uma forte queda de temperatura trouxe com ela neve na serra e geada na noite de sabado para domingo. 

O balanço é pesado.

A vinha que salvei queimou-se muito, muito mesmo. Esta vinha esta num local frio e por isso sensivel as geadas tardias. Ja antes de tomar conta dela estava consciente deste risco. Assumi-o, pois procuro ali exacerbar a frescura caracteristica do local. So que nos anos mais duros, a cacetada é violenta... Fiz o que me era possivel para prevenir este tipo de acontecimentos, realizando as medidas culturais adequadas. Podei tarde para atrasar o abrolhamento e removi as ervas debaixo das linhas. Mas mesmo assim não me livrei este ano...
E dificil avaliar com precisão os estragos. Segundo as diferentes opiniões de quem la foi ver entre 70 a 90% dos lançamentos ficaram queimados... Ou seja praticamente toda a produção ficou comprometida.

Este ultimos dias tiveram por isso um sabor amargo, com algum desanimo a mistura.
Agora, como dizem os jogadores de futebol no flash interview a seguir a uma derrota, ha que levantar a cabeça. O diagnostico feito, agora é momento de agir para tornar o quadro menos negro.
Ja esta semana, serão retirados os lançamentos queimadas, ficando so o olho por abrolhar na base do mesmo, assim como os lançamentos que escaparam. Esta medida devera permitir um novo abrolhamento mais rapidamente. A produção sera assim bem menor em quantidade, mas talvez ainda se consiga fazer pouco e bom. Ha que não baixar os braços.

Das duas outras vinhas de que trato chegam noticias mais positivas. 
Os locais e as suas caracteristicas são diferentes, menos expostos a este tipo de riscos.
A vinha centenaria não apanhou nenhuma geada, felizmente. 
Na outra vinha que comecei este ano a tratar, tambem não houve estragos de maoir. Na parte de cima, onde estão as cepas tintas, não apanhou nada. Na parte de baixo, onde esta o branco ai sim apanhou um pouco, mas mesmo assim nada de maior, pois nessa parte o abrolhamento estava mais atrasado.

Assim sendo, sempre devera haver algum vinho em 2013.

Em principio, segundo as previsões meteorologicas, o pior ja passou, é provavel que ja não haja mais geadas tardias neste inicio de ciclo vegetativo.

Desde que iniciei esta aventura em 2010, não houve dois anos iguais, todos com as suas dificuldades e virtudes, cada um a por a prova a nossa capacidade de adaptação. 
A viticultura no Dão, principalmente por razões climaticas, não é nada facil, é exigente, puxa por nos!

sexta-feira, 19 de abril de 2013

Ja ha abrolhamento!

Com esta primeira semana de bom tempo, veio o abrolhamento nas vinhas de que trato.

Estando a distância, não o pude presenciar. A confirmação veio do meu sogro que la foi hoje dar uma volta pelas três vinhas.

A vinha centenaria é das três, a mais adiantada. Alem do local, penso que isso se deve tambem ao facto de a ter podado um mês antes das duas outras.

Agora é que vai começar o stress de ter de andar continuamente a anticipar as condições meteorologicas para tomar decisões sobre as medidas a tomar e a organizar, sempre a distância...

Ainda falta um mês para voltar a vê-las ao vivo. Nessa altura tenciono realizar trabalhos em verde de desloadromento.

Até la vai ser cruzar os dedos para que as condições meteorologicas sejam favoraveis e principalmente que não venha nenhuma geada tardia deitar tudo por agua abaixo logo no inicio...

sábado, 13 de abril de 2013

Finalmente a Primavera!

Finalmente!
Depois de tanta chuva, parece que a Primavera chegou!


E provavel agora que o abrolhamento chegue nos proximos dias.
Ai vem mais um ciclo vegetativo, com as suas especificidades, as suas alegrias e as suas dores de cabeça.
Vamos a isso!

segunda-feira, 1 de abril de 2013

Inicio de 2013 : chuva e mais chuva!

Ja la vai praticamente um mês de chuva continua, depois de um inverno bastante chuvoso. E pelas previsões,  a chuva esta para durar...


Depois de um inverno 2011/2012 seco como nunca visto nos ultimos 80 anos, a natureza mostra-se disposta este ano a reequilibrar a balança.

Veremos o impacto sobre o abrolhamento e o inicio do ciclo vegetativo.
Por mim ja chegava de chuva. Mas nestas coisas não mando nada...

domingo, 24 de março de 2013

Mais uma experiência em 2013

Aproveitei a semana passada no sopé da Serra da Estrela em finais de Fevereiro para continuar a pesquizar e identificar parcelas de vinha com potencial.


Num desses dias voltei a pesquizar uma zona que aprecio particularmente e onde se encontram varias vinhas muito interessantes, principalmente pela qualidade do local. 

Encarrei assim com uma vinha ainda por podar, no meio de varias parcelas ja podadas. Naquela altura do ano, a poda ou ja foi feita ou esta a acabar. Gostei do sitio, do solo em particular, muito mineral e com desnivel. Alem disso a exposição tem um poente bom.



Voltei la uns dias mais tarde e a vinha continuava por podar... Estranho!

Era fim de tarde, o sol ja estava baixo e reparo que pessoal estava a acabar de podar uma vinha mais abaixo. Vou ter com eles. Pergunto se sabem a quem pertence a vinha.

Explicam-me que o dono ja não a vai podar mais, que a vai deixar morrer...
Indicam-me o nome e a morada do dono, para ir falar com ele. La vou eu.


Chego a povoação la encontro a casa e o dono, uma pessoa ja com uns 60 e tal anos.
Apresento-me, explico-lhe que vi a vinha dele e pergunto-lhe porque ja não a quer podar mais.
Responde-me que bem gostaria, mas que teve um problema de saude que ja não lhe o permite. Alem disso, os filhos ja não vivem na região, não tem ninguem para pegar na vinha.


Pergunto-lhe se não esta interessado em arrendar a vinha e responde-me que não. Fico surpreendido e pergunto-lhe "porquê?"

"Sabe, dediquei-me muito a esta vinha, não imagina o trabalho que tive nela. Em tempo, cheguei a ir buscar estrume de proposito ao Sabugueiro...", "Prefiro deixa-la morrer, do que vê-la mal tratada por outra pessoa", "se reparou bem eu so deixo 3, 4 olhos nas videiras, não lhes deixo carga a mais".

Enquanto o homem me apresentava os seus argumentos, percebo que estou perante alguem que sabia do que estava a falar, sabio e apaixonado. 

Peço-lhe se é possivel provar o seu vinho. 
"Claro, vamos a isso". 

Descemos a loja. 
Os copos são os habituais copos de tasco, não são bem apropriados a prova, mas bom, se não permitem analisar os aromas, sempre permitem beber.

O homem abre dois garrafões, um de branco e outro de tinto, vira-se para mim e diz-me "agora é que vais ver o que é vinho!"

Serve primeiro o branco. Provo, sente-se o gas, deve ter engarrafado sem que a malolactica tenha terminado. Não da muito para ter uma opinião definitiva.


Depois serve-me o tinto. Pego no copo, levo ao nariz, apesar do formato do copo, parece-me estar ali algo de interessante.

Depois, levo o vinho a boca e ai passa-se algo fora do normal! 
O vinho esta limpissimo, sem alterações, puro, concentrado, tenso, com uma frescura terrivel. Um equilibrio impressionante!
Em termos de sabores, encontro uma mineralidade incrivel envolvida numa manta de fruta vermelha densa e fresca. Recordo-me que naquele momento veio a cabeça a imagem de pedras a rolarem num ribeiro, era mesmo essa a sensação que tinha na boca! Tipo ondas de pedras a rolarem num ribeiro de fruta. Sensações destas são mesmo raras, so mesmo em grandes vinhos. Fantastico! 


Viro-me para o homem e "digo-lhe gosto mesmo disto, tem razão, isto sim é vinho!", "é mesmo uma pena você deixar morrer a vinha".

Continuamos a falar e chegamos a um acordo que agrada a ambos. Experimento este ano, podo a vinha, trato dela, se no fim do ano o senhor gostar da minha maneira de trabalhar, continuo nos outros anos, se não gostar, saio.
















E

E agora a terceira vinha de que trato.
Em termos logisticos (e não so) começa a tornar-se complicado...
Mas se não experimentasse esta vinha, penso que ficaria sempre com remorsos.

A aventura vai assim crescendo passo a passo.