sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Episodio 2 - Agosto 2010, a aprendizagem em viticultura e a questão do local e dos equipamentos


Depois de alguma interrupção, retomo o relato da minha aventura por terras do Dão. Voltamos por isso um pouco atras no tempo...

No inicio de Agosto 2010, terminado o meu contrato com o meu anterior empregador, pude enfim partir para Portugal de férias por 2 meses. Não sei se se pode chamar a isto férias, porque levantava-me de manhã cedinho e passava os dias a trabalhar, mas felizmente sempre com grande prazer.

Cheguei então a Portugal e comecei a trabalhar então nas vinhas do Alvaro Castro, na companhia de umas senhoras de idade que la andavam a realizar os trabalhos de monda, arrancar folha e cortar rebentos ladrões. 

Foi instrutivo e divertido, porque havia sempre boa disposição com as senhoras a cantarem canções tipicas enquanto trabalhavamos. 



Elas ficavam todas admiradas como eu tinha ali parado, pois que é que deu a um engenheiro da cidade para ali andar a trabalhar no campo? Ainda por cima com o calor que se sentia logo de manhã... Foram momentos de familiarização com as vinhas, os solos, as castas, momentos que apesar de trabalhosos, disfrutei plenamente.

Apenas la ia de manhã, das 8h até as 13h. A tarde aproveitava para me dedicar mais ao meu projecto, pois ainda tinha muito para resolver a começar pelo local. Corri varios produtores da zona, mas ninguem se mostrou disponivel para me acolher na sua adega. Confesso que fiquei então um pouco desesperado a ver as coisas a correr para tras...

Tive então de encontrar uma solução. 

O que apareceu foi a possibilidade de utilisar parte da loja da casa do meu sogro. A loja é fresca, pois as paredes são de granito e com para ai uns 30 ou 40 cm de espessura, o que permite um bom isolamento termico. 

A loja esta divida em 3 partes, ocupei uma dessas três, a que tinha azulejo no solo, o que permite limpar com mais facilidade. 

Não é o ideal mas pelo menos deu para desenrascar. O meus sogros aceitaram, mas claro tem de ser uma solução provisoria.

O local não foi feito para isso, é pequeno e não tem condições. Por exemplo não tem agua de furo, so agua da rede. Ora aprendi com o Alvaro, que um dos vectores do TCA no vinho é o cloro, elemento que se encontra na agua da rede por razões sanitarias. 
Isso quer dizer que para lavar as barricas ou os equipamentos tem de se evitar a agua da rede e utilizar a agua de furo. Isto é problematico porque para se fazer vinho é preciso muita higiene, ou seja muita agua... Na altura da vinificação la me fui safando indo buscar agua ao furo da avo da minha namorada, que ficava a uns 200m de casa. Não imaginam a quantidades de garrafões que la fui encher e carregar...

Foi tambem em Agosto que chegaram as barricas que tinha encomendado na DAMY em Meursault. Comprei 5 barricas usadas, três de 2008 e duas de 2007. A DAMY recupera barricas usadas nos seus clientes e trata-as depois de maneira a vendê-las em segunda mão. 
Apesar de ser uma solução custosa, preferi fazer assim em vez de procurar um produtor que me vendesse directamente barricas que ja não quisesse. Porque não é facil de encontrar e sobretudo porque acho que é mais seguro de um ponto de vista sanitario. Não va uma barrica contaminada alterar o vinho e deitar tudo abaixo.

Desde o inicio pensei utilizar barricas usadas em vez de novas. Alem de ser muito mais economico, a minha ideia é de fazer testes, testar parcelas diferentes, sentir as diferenças e as expressões de cada uma.

Para isso a barrica usada parece-me mais adequada, pois não marca tanto o vinho como uma nova, permitindo gozar dos pontos positivos da utilização da barrica (micro-oxigenação lenta, polimento...), sem mascarar o terroir de origem.


Trabalhar com barricas é muito mais complicado do que pensava, ja la irei num proximo post. 

Nesta fase de Agosto a principal dificuldade que tive foi com o transporte. Por razões de facilidade confiei o transporte, de Meursault até casa do meu sogro em Santa Marinha (Seia), a DAMY. As barricas chegaram la uma semana atrasadas em relação ao combinado. Felizmente chegaram muito antes da data de utilização, mas essa foi complicada, porque por vezes não se sabia onde andavam. 
Retroactivamente soube que passaram por uma rede de transportes com varios hubs no caminho. Passaram assim por França, Barcelona, Madrid, Porto, Coimbra, Guarda e finalemente la chegaram. Muitas horas perdidas a espera, muitos telefonemas e alguma preocupação... Felizmente chegaram em muito bom estado.

Passei tambem muito tempo a procura de equipamentos diversos, pois não tinha nada. Parti do 0. 

Caixas de vindimas, refractometro, garrafões para poder atestar as barricas, vazilhas diversas, etc... 

Aos poucos ia sempre aparecendo uma necessidade, muitos km fiz para ir aos fornecedores locais de material de viticultura... 





Como não tinha nem lagar, nem cuba de fermentação comprei duas dornas de 1000L em plastico alimentar. Depois ainda me emprestaram mais duas, porque cheguei a ter 4 vinhos a fermentar ao mesmo tempo...


 Optei por esta solução porque queria trabalhar como em lagar a pisa a pé e porque depois de contactar fornecedores e de obter preços percebi que lagares em inox ou cubas de fermentação em inox estavam fora do alcance do meu reduzido orçamento...

Para tudo o que era recalques fui ter com o carpinteiro da aldeia, que me fez duas “mocas” em carvalho. 


O cheirinho que deitavam quando dava feitoria ou quando depois as lavava, hum!!! era delicioso!

Agosto 2010, tambem foi uma fase de investigação, de procura de vinhas a experimentar, mas isso contarei no proximo episodio...

Alpha & Omega - Conscious Black

Du bon son!
Some good vibes!

"Herzan" by Soapkills


terça-feira, 3 de janeiro de 2012

A produção de vinhos genuinos de qualidade : industria ou artesanato?

Tendo a sorte de ter uma dupla-cultura, um dupla-nacionalidade, desde sempre tive acesso a diferentes perspectivas sobre diversos campos, influenciado por França e Portugal, podendo assim escolher a que em cada melhor me convem. Em alguns casos, adiro mais a maneira francesa, noutros a portuguesa.
Essa abertura de espirito tambem me permitiu desenvolver alguma capacidade de tolerância, evitando assim alguns pre-conceitos, assim como qualquer ponto de sentimento de racismo, sentimento primario e que tem sobretudo as suas origens na ignorância.

Esta maneira de ser e de ver as coisas, se a aplicar ao mundo da produção do vinho, encontro bastantes diferenças entre o que se passa em França e em Portugal, principalmente no perfil dos produtores e nos seus metodos.

Quais essas diferenças?

Na questão do perfil, em Portugal parece-me que em muitos casos encontramos produtores que na maior parte apenas são investidores. Pessoas com poder financeiro que por varias razões investem na produção de vinhos. Geralmente, estas pessoas não participam no processo de produção, não vinificam e muito menos trabalham a parte da viticultura. Contratam pessoal para fazer o trabalho. Vêm sobretudo a parte do negocio. Claro que existem exepções, mas parece-me ser este o modelo dominante em Portugal.

Em França tambem existe esse modelo, mas acho que esta tambem muito presente o modelo do "vigneron".
O vigneron, consoante o tamanho da sua produção tem ou não empregados, não é nesta questão que se encontra a diferença. O vigneron tem paixão e conhecimento profundo do seu vinho, dos seus solos, do seu terroir e dos seus metodos culturais. O vigneron poda, o vigneron trata a sua vinha com amor, trabalha nela, praticamente conhece cada cêpa da sua quinta. O vigneron na adega "suja as mãos", vinifica, tem atenção quase obseviva por cada pormenor, procura em cada um desses pormenor algo que levara o seu vinho a excelencia. 

O vigneron procura preservar a sua terra, não vai pela facilidade e pela dependencia dos tratamentos quimicos, vai por um profundo conhecimento de praticas culturais respeitadoras do meio ambiente, dos seus seres, da sua fauna microbiologica, enfim do seu terroir. Acredita que procedendo assim atingira uma expressão autentica e pura do mesmo nos seus vinhos.

O vigneron não liga a adega modernaças, quase ostentatorias, onde a imagem vale mais do que a funcionalidade. O vigneron vai ao essencial. 
Em Portugal para se ter autorização de produzir e comercializar vinho, tem de se ter uma adega com "licença industrial". Esta imposição leva obviamente a uma selecção do perfil dos produtores. Sem uma forte capacidade financeira, não se tem a tal adega industrial. 
Quem ja visitou alguns produtores emblematicos de algumas regiões francesas e não so, pode constatar condições simples, humildes, pode constatar metodos artesanais, mas cheios de sabedoria, menos produtivos, que dão mais trabalho, mas tambem mais eficientes e eficazes na procura da excelencia.

Um desses metodos é o do trabalho por gravidade.
O vinho é movido pela força de Newton, pela gravidade. 
Muitos, eu incluido, acreditam que isso permite preservar o vinho, acreditam que a utilização de bombas, para as diferentes tranfegas, parte o vinho, leva a perder algumas das suas caracteristicas.

Obviamente, a gravidade genera muito mais trabalho, muito mais tempo em cada operação. Em termos de produtividade não se compara a bomba. Pude constata-lo e senti-lo no corpo, pois apliquei essa filosofia na vinificação das minhas experiências.

No seguinte video, deixo o exemplo de um dos produtores mais famosos da Borgonha, COCHE-DURY.
Vinhos miticos produzidos em adega "arquaica" segundo as normas do IVV português e segundo metodos artesanais. 
Como podem constatar neste video, este produtor leva o metodo da gravidade até ao engarrafamento.
E quer perceber de francês, podera sentir a profunda sabedoria nas suas sabias palavras.



PS: os mais observadores poderam reparar que até o trajo do produtor é simples, nada de sinais exteriores de riqueza, nada de fatos, gravatas ou oculos de sol ;)

sábado, 31 de dezembro de 2011

Inverno no Dão - Feliz ano novo!

A vinha em repouso antes de um novo ciclo.


Nos tambem entramos esta noite num novo ciclo, por isso aproveito para desejar a todas e a todos um excelente 2012, cheio de saude e alegria!
Para os que mais precisarem que seja realemente o virar de pagina!

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Vie et mort des sols - L. & C. Bourguignon

Lydia et Claude Bourguignon, micro-biologistes des sols (fondateurs du laboratoire LAMS) nous révèlent la faune cachée (acariens, collemboles, pseudo scorpions, vers de terre...) qui vit dans la terre, son utilité dans le processus de fertilisation des sols, sa destruction par l'agriculture conventionnelle chimique qui entraine petit à petit la stérilisation des terre. Ils nous expliquent leur travail de conseil aux agriculteurs à qui ils enseignent des méthodes pour "remettre leur sol débout" en restaurant la biodiversité des sols : rotation des cultures, utilisation des plantes de couverture, diminutions des labours... Claude et Lydia prônent une autre agriculture, libérée des intrants chimiques et respectueuse de l'environnement : une véritable agriculture durable.



Röyksopp - Alcoholic

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Dégustation / Prova - Millésime 2010


Na semana passada recebi em casa uns amigos franceses com quem costumo reunir uma vez por mês para provarmos vinhos as cegas.

Desta feita, alem da prova habitual, aproveitei para lhes apresentar amostrar dos meus vinhos de 2010. Tratam-se de amostras que engarrafei no verão para este efeito.
Os vinhos ainda continuam nas barricas, por isso por enquanto é como se se tratasse de uma prova em "primeur".


O resultado foi bastante positivo, ja que os meus amigos sentiram-se 'bluffés" pelo equilibrio apresentado pelos vinhos, a sua elegância, assim como a qualidade dos taninos, sem extracção exagerada, "au point" :)

Fiquei obviamente contente com os comentarios, pois correspondem de certa maneira ao que procuro.

Os vinhos têm cada um o seu caracter, são diferentes uns dos outros, mas apresentam pontos comuns, principalmente a acidez, a textura limpa, sem arestas, quase vidrada e a pureza da fruta.
Nota-se que são vinhos puros, sãs, não traficados, sem quimicos/maquilhagens desnecessarios. Os aromas são os do Terroir, não aromas de leveduras de laboratorio, e acho que isso se nota bem.

Os vinhos são vivos, estão sempre a mudar. Consoante o momento em que se provam, achasse que este ou aquele esta melhor.

Pessoalmente, antes quando era apenas consumidor/enofilo, não me apercebia disso, mas agora compreendo mesmo que são algo com vida, que evolui constantemente, as vezes de um dia para o outro.
Cada vez que os provo estão diferentes, umas vezes mais exuberantes, outras mais contidos, outras vezes reduzidos, sempre a mudar... E incrivel!

Desta vez, dois destacaram-se um pouco mais.
O Tinta Pinheira, com o seu ar delicado marcou pontos, mineral, fruta vermelha fresca, bela tensão, excelente equilibrio.

O Molhada tambem se portou muito bem, neste momento mostrou um excelente equilibrio e uma bela complexidade com os tipicos aromas de mato do Dão, por detras da fruta e mineralidade.


Retirei alguns ensinamentos desta prova, em particular algumas ideias a experimentar, se puder, em futuras vinificações.

Por exemplo, cada vez tenho mais a intuição com Jaen quer inox e a Tinta Pinheira grandes vasilhas de madeira usada, as maiores possiveis. Pois as barricas de 228L, apesar de terem 2/3 anos, mesmo assim notam-se ainda demasiado para o meu gosto.

Passo a passo se vai ao longe...

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Descumbram a Kora com o seu maior embaixador

A Kora é um instrumento multi-secular, oriundo da Africa sub-sahariana, em particular do Mali.

Toumani Diabaté, "griot" tal como seus antecedentes, é um dos seus maior embaixadores.

O som deste instrumento é dos mais belos que ja pude ouvir.

Intrumento complexo, permite ao mesmo tocar o baixo, o acompanhamento e a improvisação, o que numa banda habitual necessitaria de 3 instrumentos.

O seu som lembra a harpa.

Alguns dos temas tocados pelo Toumani, têm, 300, 400, 500, 700 anos. 

Testemunham da historia e da cultura africana e da humanidade.

Deixo alguns videos para a delicia dos melomanos mais curiosos.

Neste Toumani explica o que é a Kora, e demonstra a tal capacidade a conjugar 3 instrumentos.



O som da Kora, harmonia pura!



A seguir, uma bela combinação com os espanhois Ketama e Danny Thompson, é caso para se dizer que ao cruzamento de varias culturas nascem das mais belas obras humanas.



Ao vivio e acompanhado


terça-feira, 20 de dezembro de 2011

A vinha ressuscitada

Deixo aqui algumas fotos da vinha de que fiz o 2011.

Trata-se de uma vinha que ando a recuperar ha dois anos, emprestada por um primo do meu pai.

Na altura a vinha jã não era podada ha 3 anos e estava ja cheia de silvado, a beira da morte, depois de 40 anos de bons serviços.



O encêpamento é uma mistura onde sobresaiem principalmente a Tinta Pinheira, o Negro Mouro e alguma Tinta Amarela. Um encepamento pouco vulgar, em vias de desaparecimento e que me importa preservar.


Tenho a tratado bem, provavelmente mimado como nunca.

O 2011 é o primeiro vinho em que me ocupei tambem da parte da viticultura.
E uma parte muito complexa e exigente quando se quer produzir vinho com caracter, mas é uma parte que da um gozo imenso. Gosto de estar na vinha, passei la muito tempo este ano, quase as minhas férias todas.

O ano de 2011 foi muito duro, muito esigente, dei o maximo, contarei isso numa proxima oportunidade.

O vinho promete, é a minha reconpença, agora compete-me não o estragar.



Vegetação, flores brancas...


Flores amarelas
Solos cheios de vida, de maneira a alimentar a bicharada do solo, necessaria a alimentação da vinha e  ao desenvolvimento das leveduras autoctonas, condição sinequanon quando se pretende fazer vinho que expressa o seu Terroir

Um solo cheio de minerais...


e com declive
Granito cor de rosa, entre outros


As cêpas velhas alimentam-se deste solo por isso importa preserva-lo

Nesta altura a vinha entra em repouso invernal, são os ciclos da natureza


sábado, 17 de dezembro de 2011

Adeus Cesaria!


A viagem de inicio de Dezembro - o relato

Como tinha dito no post anterior, estive alguns dias em Portugal no fim de semana passado.

Pude assim verificar como estavam a evoluir os vinhos, tanto os de 2010 como os de 2011.

Os de 2010 estão a evoluir bem, cada vez mais perto de estarem prontos para engarrafar.
Ainda não sei o que vou fazer com eles, mas em prencipio serão feitos alguns lotes, pois as quantidades são muito pequenas, apenas uma barrica de cada vinho/vinha, e não tenho nome para poder engarrafar seleções parcelares.


Em relação ao trabalho de adega, desta vez não fiz quase nada. Os vinhos não precisavam, apenas atestei os pipos depois de ter retirado algumas amostras para analises e ensaios de lotes.


Nesta fase, o mais importante era de ver como andava a fermentação malolactica nos 2011.
Esta fermentação é aquela segunda fermentação que as pessoas da aldeia não sabem bem o que é.
Trata-se de uma fermentação que se da (quando as coisas correm bem) depois da fermentação alcolica, transformando assim o acido malico em acido lactido, tornando assim os vinhos mais suaves, menos acidos.


Pondo o ouvido perto dos batoques das barricas, dava para ouvir ou não o movimento provocado pela emanação de gaz e assim verificar se a fermentação ainda estava em curso.
Ao provar, na boca tambem da logo para notar na lingua, alguns picos e assim constatar que a fermentação ainda não acabou.




Luis
Para se saber o estado de avanço, o melhor é analisar o vinho.

Para tal recolhi amostras de cada barrica e fui ter com o meu amigo Luis Lopes, no laboratorio da adega da Quinta da Pellada. O Luis faz parte da equipa de enologia de Alvaro Castro e te me ajudado muito nesta aventura.

Deu assim para ver que apenas uma barrica tinha concluido a fermentação. Protegia logo medindo o sulfuroso a 30 mg/L.

As outras barricas ainda têm a volta de 0,10 / 0,15 g/L de acido malico, por isso a fermentação ainda não acabou mas ja não estão longe disso.

Por isso foi so atesta-las bem.
Fico combinado, que daqui a duas semanas o Luis vai la ver outra vez. Assim que acabarem é proteger logos os vinhos.

Não é por nada que esta fase é das que causa mais stress aos enologos, as bacterias num meio propicio podem fazer das delas...


Aproveitei tambem estes dias para provar dois lotes que os meus amigos da Pellada prepararam a cerca de um mês, misturando alguns dos meus vinhos com alguns deles.

Um lote foi escolhido pelo Alvaro, procurando um pouco o modelo do Pape, misturando a minha Baga da vinha velha do Ti João com Tourigo e Jaen da Pellada.

O outro lote foi da autoria do Eng. Ataide Semedo, misturanda o vinho da Molhada (vinhas velhas de castas misturadas, com boa percentagem de Baga), com Tourigo UKR, Roriz e vinha velha da Pellada.



Gostei de ambos, sendo que de momento o lote do Ataide apresentava-se o mais casado.



Como isto de fazer lotes é bastante complicado, é continuar a experimentar.

Engarrafei mais duas garrafas de lotes, que seram abertas a proxima vez que la for, la para fim de Fevereiro quando for altura de podar (pessoalmente tento podar o mais tarde possivel para previnel efeitos de eventuais geadas tardias).

Desta vez fiz um blend so dos meus vinhos, 50% Jaen e 50% Tina Pinheira. Tenho a intuição que são capaz de casarem bem, a acidez da Tinta Pinheira ligando bem com o lado mais redondo do Jaen (se bem que o meu Jaen tambem tem bastante frescura, não fosse ele alid do sopé da Serra).

No outro bem juntei em partes iguais os meus três vinhos de vinhas velhas e juntei 20% de Touriga Nacional da Pellada, de maneira a fazê-los mais sobresair no lote.

Veremos portanto em fevereiro se resultaram.

Provamos tambem os vinhos de 2011, apesar do malico ainda não estar acabado, prometem muito. Mas disso falarei no proximo post :)

Até breve!


























quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

4 dias na oasis

Amanhã é um grande dia!

As 6 da manhã vou apanhar um avião para o Porto, seguido de uma viagem de comboio para Nelas que me devera permitir chegar a Terra Santa um pouco antes do meio dia.


 E tempo de ir ver os meus filhotes :)


Para os mais velhotes, os de 2010, é hora de provar, ver como esta a evolução de cada um dos 5.

Pode ser que algum precise de mais alguma transfega. Pois as borras e o reduzido as vezes pedem por isso.



E tempo tambem de ir provar algumas experiências de lotes.


E os 2011 tambem precisam de atenção, claro, pois é necessario ver como andam as malolacticas.
Caso tenham acabado, toca a proteger e transfegar. Se não for o caso ha que ter paciência, como no ano passado.



Vão ser mais uns 4 dias intensos, sempre a correr.
Depois no Domingo regresso a urbe parisiense.

A la semaine prochaine!

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Porquê o nome de "Palheira do Ti Zé Bicadas"

Aproveito o facto de um colega "florista" me ter perguntado no forum da Revista de Vinhos o porquê do nome do blog para o esclarecer a todos os leitores.

Deixo por isso aqui a questão e a resposta.

Abraço a todos!


jms Escreveu:
Fantástico, é precisa muita vontade e coragem para uma empreitada destas!

Já agora, de onde vem o nome 'palheiras'?!

Obrigado pelo comentario.

E um pouco complicado responder a sua pergunta, porque tem a ver com varias coisas, mas vou tentar ser o mais claro possivel.

E uma palavra que acho que tem uma carga simbolica forte e na qual revejo o projecto.

Palheira tem a ver com a terra, com o pequeno lavrador que trabalha a terra. 
Tem a ver com a calma, com a paz que se sente no campo.
Tem a ver com pedra, pois as paredes, pelo menos ali a beira da serra, são de blocos de granito. A mesma pedra, ao fim de alguns anos, num sitio não poluido, esta em parte recoberta de lychens, testemunhos de pureza e de vida.

Tem a ver com o meio rural, com ethnologia.
Tem a ver com tradição, com a cultura e agricultura portuguesa.
Tem a ver com um passado que esta a desaparecer, com uma funcionalidade ou um modo de vida que esta a desaparcer ou que ja desapareceu.

Tem a ver com humildade, e isso acho muito bonito. Não é um château, não é um palacio, nem uma casa senhorial, é apenas uma humilde e digna palheira.

Tem a ver com o facto de não ser preciso grandes adegas ou grandes condições para se fazer um bom vinho. O mais importante é a vinha, o terroir, o trabalho do homem, não é a adega ou a assinatura do arquitecto da mesma que vão tornar o vinho no que não pode ser.

E finalmente tem a ver com o meu falecido avo e padrinho, conhecido na aldeia pelo alcunha de Ti Zé Bicadas (ja reparou que tambem as alcunhas, apesar de tão presentes na cultura portuguesa no passado, estão a desaparecer, isso daqui a umas gerações ja so os ethnologos e historiadores saberão o que é uma alcunha e a importância que teve no Portugal rural). Lembro quando era puto, quando ia de férias a Portugal de o acomanhar por vezes ao campo. Iamos no unico meio de locomoção que teve, a sua carroça puxada por uma burra. Iamos para a terra que cultivava. Enquanto ele regava, eu ficava a brincar na eira, em frente a sua palheira, onde ele gostava de dormir uma sesta, refungiando-se ai quando o calor apertava. 
Tem a ver com o orgulho que tenho nas minhas origens.
E uma forma de homenagear a sua memoria. 

Como vê é uma palavra que conjuga muita coisa. Espero ter esclarecido.

sábado, 3 de dezembro de 2011

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

O inicio da aventura - 1° episodio

Vou tentar neste post explicar como se iniciou a minha aventura.

Vamos para isso voltar atras no tempo, em meados do ano 2010.

Mudei de emprego em 2010, o que me permitiu estar em Portugal dois meses seguidos, em Agosto e Setembro, e assim poder me dedicar a 100% nesse periodo a esta loucura.
Antes disso ja tinha começado a preparar esses dois meses a distancia, recolhendo conselhos principalmente do João Roseira e da Rita Marques, enologos e produtores que conheci no forum e em eventos da Revista de Vinhos e que tinha visitado em 2009. Simpatizamos e cada vez que tinha uma pergunta sobre como se fazia isto ou aquilo ligava-lhes.


A Rita é uma jovem enologa e produtora muito talentuosa.
Produz no Douro Superior, os vinhos Conceito.












O João é produtor de vinhos do Porto e do Douro, no Cima Corgo, no coração do Douro, perto de Pinhão. Produz os historicos Quinta do Infantado.







Tambem um amigo francês, François Chasans, me aconselhou muito nesta fase de preparação. Foi pelo François por exemplo que obtive o contacto da tanoaria onde comprei as minhas barricas udasas (DAMY, tanoaria situada em Meursault na Borgonha). 

O François, alem da sua esposa Céu, portuguesa, apaixonou-se pelos vinhos da Bairrada, em particular pela casta Baga. Iniciou ha alguns anos o seu projecto e não tenho duvidas de que daqui ha alguns anos sera considerado um dos melhores produtores da Bairrada, com os seus Quinta da Vacariça.




Graças ao João Roseira, obtive um encontro com o Alvaro Castro (fasmoso produtor da Quinta da Pellada e a quem a região do Dão muito deve) de maneira a lhe expor o que queria fazer e tentar obter o seu apoio tecnico e ver se seria possivel fazer os vinhos na sua adega. 










Trabalhar com o Alvaro Castro era para mim a melhor opção, pois alem de ser um produtor reconhecido (talvez o mais reconhecido no Dão), tinha a vantagem de estar na aldeia vizinha da dos meus pais, em Pinhanços, a apenas 2 km de casa. Isso torna tudo mais facil e pratico.











Fui então num fim de semana alargado a Portugal de proposito, no inicio de Julho de 2010. Mostrei então ao Alvaro Castro a apresentação que lhe tinha enviado, expliquei-lhe as minhas ideias, os meus motivos e o que pretendia e dei-lhe a provar uma amostra de Tinta Pinheira feita de respigos. Ele concordou que valia a pena experimentar e mostrou-se disposto a me dar apoio técnico. Propus-lhe de vir para la trabalhar gratuitamente em Agosto e Setembro de maneira a aprender com ele e a sua equipa a trabalhar na vinha e na viticultura. Ele aceitou.

O problema que ficava por resolver era que não podia fazer os vinhos na sua adega por falta de espaço, pois segundo dizia a adega estava “a rebentar pelas costuras”. Aconselhou-me então a procurar um lugar fresco e que tenha agua de furo e electricidade.









Tambem aproveitei esses dias para falar com os pequenos lavradores a quem iria comprar cachos e avançar um pouco mais nesse processo.

Voltei então para Paris, um pouco mais seguro mas com ainda muitas questões por resolver, sendo a do local e dos equipamentos a principal e a mais complicada.



To be continued...

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

A vinha do Ti Joao Galracho

Vinha de 60 anos, onde predominam Baga e Jaen, no seio de uma mistura de castas

Oliveiras, vinhas, flores 

Um muro antigo de pedra envolve a Vinha, um Clos serrano

Ovelhas do Ti João

Santa Marinha, as origens

Solo granitico

Vida na paz do sopé da Serra

Alignadas

Ligeiro declive

Todas torcidas, a bailar

Ethiopiques


Descoberta musica electronica - Kavinsky - Nightcall


segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Algures no Dão - Somewhere in Dão

No sopé da Serra da Estrela...


... Vinhas moribundas renascem para a vida 

A vida dos solos


A biodiversidade traduz a vida do solo.
Essa vida é fundamental para a pureza do vinho, é imprinscindivel a busca da excelência!

Em certos solos do Dão (e não so) podemos encontrar esta formula :
Granito + vida = solo de grande potencial para vinhos vivos, frescos, longevos, genuinos