sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

O inicio da aventura - 1° episodio

Vou tentar neste post explicar como se iniciou a minha aventura.

Vamos para isso voltar atras no tempo, em meados do ano 2010.

Mudei de emprego em 2010, o que me permitiu estar em Portugal dois meses seguidos, em Agosto e Setembro, e assim poder me dedicar a 100% nesse periodo a esta loucura.
Antes disso ja tinha começado a preparar esses dois meses a distancia, recolhendo conselhos principalmente do João Roseira e da Rita Marques, enologos e produtores que conheci no forum e em eventos da Revista de Vinhos e que tinha visitado em 2009. Simpatizamos e cada vez que tinha uma pergunta sobre como se fazia isto ou aquilo ligava-lhes.


A Rita é uma jovem enologa e produtora muito talentuosa.
Produz no Douro Superior, os vinhos Conceito.












O João é produtor de vinhos do Porto e do Douro, no Cima Corgo, no coração do Douro, perto de Pinhão. Produz os historicos Quinta do Infantado.







Tambem um amigo francês, François Chasans, me aconselhou muito nesta fase de preparação. Foi pelo François por exemplo que obtive o contacto da tanoaria onde comprei as minhas barricas udasas (DAMY, tanoaria situada em Meursault na Borgonha). 

O François, alem da sua esposa Céu, portuguesa, apaixonou-se pelos vinhos da Bairrada, em particular pela casta Baga. Iniciou ha alguns anos o seu projecto e não tenho duvidas de que daqui ha alguns anos sera considerado um dos melhores produtores da Bairrada, com os seus Quinta da Vacariça.




Graças ao João Roseira, obtive um encontro com o Alvaro Castro (fasmoso produtor da Quinta da Pellada e a quem a região do Dão muito deve) de maneira a lhe expor o que queria fazer e tentar obter o seu apoio tecnico e ver se seria possivel fazer os vinhos na sua adega. 










Trabalhar com o Alvaro Castro era para mim a melhor opção, pois alem de ser um produtor reconhecido (talvez o mais reconhecido no Dão), tinha a vantagem de estar na aldeia vizinha da dos meus pais, em Pinhanços, a apenas 2 km de casa. Isso torna tudo mais facil e pratico.











Fui então num fim de semana alargado a Portugal de proposito, no inicio de Julho de 2010. Mostrei então ao Alvaro Castro a apresentação que lhe tinha enviado, expliquei-lhe as minhas ideias, os meus motivos e o que pretendia e dei-lhe a provar uma amostra de Tinta Pinheira feita de respigos. Ele concordou que valia a pena experimentar e mostrou-se disposto a me dar apoio técnico. Propus-lhe de vir para la trabalhar gratuitamente em Agosto e Setembro de maneira a aprender com ele e a sua equipa a trabalhar na vinha e na viticultura. Ele aceitou.

O problema que ficava por resolver era que não podia fazer os vinhos na sua adega por falta de espaço, pois segundo dizia a adega estava “a rebentar pelas costuras”. Aconselhou-me então a procurar um lugar fresco e que tenha agua de furo e electricidade.









Tambem aproveitei esses dias para falar com os pequenos lavradores a quem iria comprar cachos e avançar um pouco mais nesse processo.

Voltei então para Paris, um pouco mais seguro mas com ainda muitas questões por resolver, sendo a do local e dos equipamentos a principal e a mais complicada.



To be continued...

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

A vinha do Ti Joao Galracho

Vinha de 60 anos, onde predominam Baga e Jaen, no seio de uma mistura de castas

Oliveiras, vinhas, flores 

Um muro antigo de pedra envolve a Vinha, um Clos serrano

Ovelhas do Ti João

Santa Marinha, as origens

Solo granitico

Vida na paz do sopé da Serra

Alignadas

Ligeiro declive

Todas torcidas, a bailar

Ethiopiques


Descoberta musica electronica - Kavinsky - Nightcall


segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Algures no Dão - Somewhere in Dão

No sopé da Serra da Estrela...


... Vinhas moribundas renascem para a vida 

A vida dos solos


A biodiversidade traduz a vida do solo.
Essa vida é fundamental para a pureza do vinho, é imprinscindivel a busca da excelência!

Em certos solos do Dão (e não so) podemos encontrar esta formula :
Granito + vida = solo de grande potencial para vinhos vivos, frescos, longevos, genuinos


sábado, 12 de novembro de 2011

Na palheira tambem se ouve musica

Mariza - O deserto

Lychens, fungos e flores a testemunharem da vida dos solos



Vinhas velhas no sopé da Serra da Estrela

Caminho velho levando a vinha do Ti João Galracho - A Serra da Estrela vista da Pedra Coelha

As vinhas velhas frente a imponente Serra da Estrela !
Castas misturadas numa vinha com mais de 60 anos.
Duas castas se destacam : o Jaen e a Baga

Tinta de Mina - uma casta desconhecida em vias de extinção

Nesta foto podemos ver o Ti Zé Rebelo apresentando uma cêpa de uma casta antiga e em vias de extinção, conhecida localmente na aldeia por "Tinta de Mina".

Trata-se de uma casta que se encontra nas vinhas velhas a beira da Serra, misturada com muitas outras.
Por exemplo, numa vinha velha, em 100 cêpas, encontramos ali umas duas ou três de Tinta de Mina.

Esta casta tem uma utilidade muito especifica na mistura. Os antigos plantavam-na de maneira a trazer mais cor ao vinho, pois trata-se de uma casta tintureira.

E o que é uma casta tintureira? preguntam-se os mais curiosos.
E uma casta que tem a polpa corada. Em geral, as uvas que dão o vinho tinto, têm a polpa branca, transparente. A pelicula é que é corada, é ela que da a cor ao vinho tinto, por contacto com a polpa, depois de as uvas estarem pisadas no lagar.




Nesta foto pode se ver que até o engaço tem tons avermelhados.



As castas tintureiras são muito raras. Em Portugal nas cento e tal castas tintas que temos, so duas ou três é que são tintureiras.
As duas mais conhecidas são :
- O Vinhão no Minho, a casta que origina os vinhos verdes tintos e que é conhecida pelo nome de Sousão no Douro, entrando ai em lotes de alguns vinhos do Porto, e mais recentement do Douro DOC.
- O Alicante Bouschet, essa mais no Alentejo, casta de origem hibrida, vinda de França no século XIX e que origina actualmente alguns dos melhores vinhos do Alentejo.


Então o que é a Tinta de Mina?
Sera o Sousão?
Sera o Alicante Bouschet?

O Alicante Bouschet é pouco provavel, pois no Dão não tem historial.
Talvez o Sousão/Vinhão, pois alem da cor, partilha com a Tinta de Mina a caracteristica de ter muita acidez.

Até agora, e apesar de ter perquisado, não consegui descobrir de que casta se trata...
Ja levei amostras a tecnicos, enologos e produtores e ninguem conhece tal casta...

O mais provavel é que daqui a uns anos, quando desaparecerem os velhotes, e com eles as vinhas velhas, esta casta tambem desapareça e assim o patrimonio génético e viticula português fique empobrecido...
Coisas dos tempos pseudo-modernos...